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Ignorar a condição das tomadas e do quadro de distribuição durante a visita a um imóvel usado é um dos erros mais frequentes na hora de avaliar o estado de conservação de uma propriedade. O entusiasmo com a pintura nova ou com a disposição dos cômodos costuma ofuscar problemas invisíveis, mas que podem exigir reformas estruturais profundas e onerosas logo após a mudança.
A eletricidade é o sistema nervoso de qualquer residência. Quando o cabeamento está defasado ou os dispositivos de proteção não funcionam, não se trata apenas de um incômodo operacional, mas de uma questão de segurança básica.
O quadro elétrico deve ser o primeiro ponto de atenção. Abra a tampa e verifique se há sinais visíveis de superaquecimento, como cheiro de queimado ou manchas escuras nos disjuntores. Observe se os componentes estão organizados ou se há uma confusão excessiva de fios, o que pode indicar gambiarras feitas por profissionais pouco qualificados. Identifique se o sistema ainda utiliza fusíveis de cartucho ou rolha; se for o caso, saiba que essa tecnologia é obsoleta e a substituição por disjuntores modernos é necessária para garantir a proteção correta contra sobrecargas.
O formato das tomadas é um indicador importante da idade e do nível de conservação da infraestrutura. O padrão brasileiro atual, com três pinos, não é apenas estético. Ele exige que o imóvel possua o fio terra, fundamental para drenar correntes de fuga e evitar choques. Ao caminhar pelo imóvel, teste se os espelhos das tomadas estão bem fixados e se não há indícios de derretimento ou coloração amarelada excessiva, que sinalizam contato precário ou excesso de carga frequente.
Muitos imóveis usados foram construídos em décadas onde o consumo elétrico era significativamente menor. Hoje, com a quantidade de eletrodomésticos e eletrônicos, o sistema pode não suportar a demanda. Observe alguns sinais de alerta:
Não é necessário ser um eletricista para fazer testes preliminares. Leve um carregador de celular ou uma luminária pequena para checar se todas as tomadas estão funcionando. Durante esse processo, observe se há pontos de luz que não acendem ou interruptores que parecem estar soltos dentro da caixinha. A falta de continuidade em diversos pontos pode ser um sinal de oxidação dos fios internos ou de emendas mal feitas dentro das paredes, problemas que demandam a passagem de nova fiação.
Reflita sobre como será a distribuição dos seus aparelhos de alto consumo, como aparelhos de ar-condicionado, chuveiros eletrônicos e fornos de indução. Se a fiação for muito antiga, ela pode não ter a bitola — ou seja, a espessura — necessária para suportar esses equipamentos sem aquecer. Se notar que o imóvel possui apenas uma fase disponível, considere que a instalação de chuveiros mais modernos pode exigir um aumento da carga junto à concessionária de energia e a troca de todo o cabeamento principal.
Se durante a sua análise preliminar você encontrar disjuntores antigos, fios ressecados ou notar que a rede elétrica nunca passou por uma atualização desde a construção original, considere contratar um profissional habilitado. Um eletricista pode realizar testes de isolamento e medir a resistência dos cabos, fornecendo um parecer técnico sobre a viabilidade da instalação atual.
O próximo passo é mapear quais cômodos precisarão de intervenção imediata e incluir esses custos na sua planilha de orçamento antes de concluir qualquer negociação.